Entrou na brincadeira do app do “idoso”? Cuidado!

Casos recentes de aplicativos que acessam indevidamente a privacidade de seus usuários trouxeram à tona discussões sobre os melhores métodos de proteção de dados em dispositivos Android e iPhone (iOS). Recentemente, o FaceApp, aplicativo que se tornou viral por dar uma aparência mais velha nas fotos, teve sua política de privacidade questionada. Isso porque os termos de uso do serviço são vagos e dão margem para o uso livre das fotografias de seus usuários por parte da empresa. Outro escândalo recente de vazamento de dados envolveu o Facebook e a entrega de informações de usuários para a Cambridge Analytica, ação que pode ter influenciado as eleições presidenciais dos EUA em 2016.

Em meio a esse cenário, gigantes da tecnologia como o Google e a Apple anunciaram novas versões de seus sistemas operacionais que limitam o acesso de apps às informações dos usuários. No entanto, além das mudanças feitas pelas próprias plataformas no que diz respeito às políticas de privacidade, é importante que o usuário também saiba se proteger. Apesar de não haver ferramentas que alertam de forma explícita qual serviço está ultrapassando os limites nesse quesito, algumas ações podem ajudar a amenizar o quadro. Reunimos abaixo algumas dicas de segurança para evitar que aplicativos tenham acesso indevido aos seus dados.

1. Permissões de aplicativos

Para aplicativos operarem em um dispositivo, é preciso que o usuário permita que ele tenha acesso a diversos dados, que variam de acordo com o serviço. Geralmente, é solicitada permissão para acessar localização, microfone, arquivos armazenados na galeria e até mesmo gerenciamento de chamadas telefônicas.

Telas iniciais do app da GOL pedem permissão de acesso à localização e aos contatos — Foto: Reprodução/Raquel Freire

Uma boa prática que assegura a privacidade dos dados do usuário é analisar atentamente quais permissões estão sendo concedidas aos aplicativos. Uma plataforma que oferece apenas o serviço de filtros para fotos, por exemplo, não precisa ter acesso à localização do usuário — o que faz sentido para um app voltado para a navegação GPS, como o Google Maps.

Ao configurar um novo serviço para o seu aparelho, é possível negar permissões aos dados que não condizem com as funcionalidades da plataforma e ajustá-las nas configurações do dispositivo quando desejar. Outra dica é verificar o desempenho do seu celular após a instalação de aplicativos. Aqueles que o deixam mais lento ou que consomem a bateria rapidamente podem estar infectados com algum malware.

2. Informações sobre o app

Mesmo que um serviço não levante suspeitas iniciais sobre seu desempenho, é importante que o usuário pesquise mais sobre os termos de uso e sobre a companhia por trás do desenvolvimento. Uma busca rápida no Google pode trazer resultados importantes sobre possíveis escândalos de vazamento de dados dos usuários nas quais empresas e aplicativos estiveram envolvidos.

Outra opção é verificar a avaliação e recomendação do app por outros usuários nas lojas oficiais, como Google Play Store e App Store. A prática pode trazer mais segurança para a privacidade do usuário e evitar dores de cabeça com o acesso indevido desses programas aos dados contidos em seu dispositivo.

3. Exposição nas redes sociais

Ação para acessar as configurações de privacidade do Facebook — Foto: Reprodução/Marvin Costa

Ação para acessar as configurações de privacidade do Facebook — Foto: Reprodução/Marvin Costa

Ao limitar sua exposição nas redes sociais, o usuário dificulta a ação de empresas em construir seu perfil com base nos dados pessoais concedidos aos apps. Assim, também será mais difícil que eles se propaguem para fins diversos, como para a criação e veiculação de anúncios. Evite postar muitas informações sobre si e restrinja o acesso ao que está online apenas para o círculo familiar e amigos.

O recente escândalo que envolveu o Facebook no vazamento de dados de seus usuários para a Cambridge Analytica, por exemplo, mostrou como orientações políticas, crenças religiosas e gostos pessoais podem ser dados úteis para companhias manipularem contextos sociais, como as eleições presidenciais dos EUA, ou até mesmo para a criação de publicidade. Quanto mais um usuário se expõe nas redes sociais, mais ele ficará vulnerável aos aplicativos e, consequentemente, às ações das empresas por trás dos serviços.

4. Atualização do sistema operacional

Outra forma de deixar o seu smartphone mais seguro é por meio da atualização regular do sistema operacional. A prática faz com que o usuário esteja sempre um passo à frente de hackers e aplicativos que pretendem violar políticas de privacidade. Este ano, por exemplo, tanto o Google como a Apple anunciaram que a privacidade de seus usuários são o foco das novas versões de seus sistemas, com lançamentos previstos para o final do ano.

Apple anuncia mais privacidade no iOS 13; usuário poderá limitar acesso dos apps aos dados no dispositivo — Foto: Reprodução/Apple

Apple anuncia mais privacidade no iOS 13; usuário poderá limitar acesso dos apps aos dados no dispositivo — Foto: Reprodução/Apple

Entre as novidades do Android 10 (Q) e do iOS 13, está a função que permite ao usuário limitar o acesso dos aplicativos à sua localização e uma maior vigilância contra apps que atuam em segundo plano. Para não ficar de fora dessas atualizações, é recomendado que o usuário configure seu aparelho para fazer download da nova versão do sistema operacional assim que ela estiver disponível. A prática vale tanto para Android quanto para iPhone (iOS).

5. Google Play Store e a App Store

Verificar informações sobre o app na Google Play Store ou na App Store pode evitar o download de serviços suspeitos — Foto: Rodrigo Fernandes/TechTudo

Um passo seguro para baixar aplicativos minimamente confiáveis é fazer o download dos serviços diretamente de lojas oficiais como a Google Play Store e a App Store. Apesar de a prática não garantir totalmente a segurança de um serviço, as plataformas disponíveis nessas lojas precisam oferecer um padrão mínimo de proteção de dados ao usuário, assim como uma política de privacidade que diz como o app protege suas informações.

O download de aplicativos por meio de sites não confiáveis pode infectar o dispositivo do usuário com malwares e até mesmo fazer com que outras pessoas tenham controle total do aparelho. Antes de usar a Google Store e a App Store para baixar um app, verifique quanto tempo o serviço já tem no ar e veja as recomendações de outros usuários. Programas suspeitos podem aparecer eventualmente, como foi o caso de uma versão falsa do Telegram que foi baixada mais de 100 mil vezes.

6. Apps com criptografia de ponta-a-ponta

Para evitar a invasão de privacidade em aplicativos de mensagens instantâneas, opte por aqueles que usam a criptografia de ponta-a-ponta. O WhatsApp é uma das opções que oferecem a tecnologia, que deixa a troca de mensagens mais segura entre as pessoas. O Telegram, que também usa o recurso nos chats secretos, possibilita ao usuário até mesmo a autodestruição de mensagens. Mesmo assim, é preciso ficar atento a possíveis falhas nesse sistema.

Além disso, é possível realizar um procedimento de segurança nos dois aplicativos para assegurar ainda mais sua privacidade. A verificação de duas etapas é um adicional de proteção que, quando ativado, exige que o usuário digite uma senha extra a cada login realizado em um novo dispositivo. Vale lembrar que o Messenger, aplicativo de mensagens do Facebook, não adota a criptografia de ponta-a-ponta por padrão. Para usá-la, é preciso abrir um chat secreto por meio do aplicativo para a troca segura de mensagens.

Via CNET / Techtudo